Desejo, desde já, deixar claro que não tenho o objetivo de falar mal de ninguém, e portanto, não o farei; não mencionarei, em consequência, o nome da pessoa responsável pela existência desta nota. Simplesmente divulgarei os fatos e deixarei que cada um tire suas conclusões.
Essa pessoa, não muito tempo atrás, me procurou atrás de algumas dicas de escrita. Admito que a fábula que ela decidiu criar já tinha pequena parte de sua história elaborada, e não era completamente má; era sobre um homem obcecado pela aprovação daqueles a seu redor. Sua obsessão chegava a tal ponto que ele entrava em discussões arraigadas com amigos, família, qualquer um que não reconhecesse seu suposto gênio. Esse personagem, chamado Pablo P. - nome vazio, para garantir desde o início a baixa qualidade do trabalho (seu autor nem sequer houvera dado significado ao "P"!) - deveria, de acordo com as poucas ideias de seu criador, passar, ao longo do conto no qual se inseria, por algumas situações que fossem capazes de exemplificar tal comportamento, antes que seu "destino" fosse revelado. O autor, apesar de seu profundo conhecimento de "estrutura narrativa" (esse comentário de Donald, corroborado ainda por Daneri, chega a ser cômico) veio até mim em busca de ajuda.
"Estou completamente travado", foram as suas eloquentes palavras. Disse-me que não conseguia escrever uma continuação para seu já pífio conto, tendo tentado por diversos dias. Eu lhe disse, desde o início, que tal conto não tinha lá muito interesse; lhe faltava densidade, reconhecimento de diversas das influências às quais um escritor contemporâneo já não pode fugir. Um escritor brasileiro deveria, ao escrever, deixar claro que conhece a obra de Proust, Joyce, Borges, Rosa, Lispector... ou ao menos os latino-americanos dentre esses; isso se já não considerarmos necessário reconhecer pintores e diretores de cinema modernos, e autores contemporâneos como Pynchon e Bolaño, Antunes e Wallace... enquanto eu o dizia, ele me observava com os olhos arregalados de quem não compreende sequer a décima parte do que lhe está sendo dito, e disse timidamente que talvez, talvez (ele repetiu a palavra) ainda não fosse o momento, que naquele texto queria ser mais minimalista. O garoto certamente não levou menos de quinze segundos para encontrar a simples palavra em seu vocabulário obviamente limitado. De qualquer modo, como insistisse, dei-lhe dicas. Um homem prepotente sem razões para sê-lo, considerando-se o meio intelectual, certamente afirmaria, para causar impressão maior, ter lido aquilo que não leu - e poderia ser constrangido ao se confrontar com aqueles que realmente leram as obras que critica sem o devido conhecimento. Doei-lhe ainda outra ideia: um homem prepotente, certamente, não seria possuidor de verdadeiro gênio, e cometeria erros que poderiam ser detectados por pessoas que possuem um conhecimento verdadeiramente superior. Neste caso, certamente, tal homem se comportaria de modo inaceitável, mostrando nervosismo e intolerância para com o conhecimento através de um modo de agir ignorantemente defensivo.
O garoto saiu de minha casa aliviado, leve, como podia ver em seu semblante, e não antes, é claro, que eu lhe chamasse mais uma vez a atenção para a importância de ler não apenas os clássicos, mas também os contemporâneos de mais destaque; "A primum opus de cada um, disse-lhe; isso bastará, desde que você saiba apreciar o estilo dos grandes." Ele tentou sem sucesso ocultar seu sorriso de agradecimento, antes de se retirar para concluir sua "obra".
Hoje, descubro, para meu desapontamento, que o jovem publicou o tal conto, em uma versão muito mal trabalhada, que, como se não bastasse, está recebendo uma atenção injustamente elogiosa da ignorante crítica, que desconhece, graças à ingratidão do garoto em questão que sequer mencionou meu nome, que os pontos mais altos do texto são de minha autoria.
É realmente triste para um homem de minha estatura ser tratado de tal maneira. É apenas para mostrar o desrespeito dos jovens e a baixa qualidade da crítica que crio essa nota, uma vez que, possivelmente, me seria até danoso ter o nome publicado em um trabalho de qualidade tão baixa. Não desejo que o jovem em questão me peça desculpas, pois não me as deve - o coração de seu conto fora meu, mas eu lhe dei, e ele nada me custou; peço apenas que tente evitar repetir a impensada ação, pois poderia, num outro caso, ferir o orgulho de alguém que se importe com tais assuntos.
Você tem que entender... eu estava sobre os ombros de gigantes!
ResponderExcluirInfelizmente isso é o que mais se vê por aí... E o pior é que não se pode confiar nas pessoas cultas muito menos nas ignorantes pseudo-cultas, como foi o seu caso. Deixe apenas que essa crítica que ele está recebendo indevidamente, infle seu ego.
ResponderExcluirUm grande abraço, my friend
Benjamin