Grandes autores, como uma entrada no blog da companhia das letras por Vanessa Bárbara, são, muitas vezes, pessoas que, no mínimo, parecem malucas. Não vou escolher lados quanto a isso, mas eu diria, sendo verdade, que as doenças mentais sofridas seriam consequências diferentes de uma mesma origem - algo que se define bem pelo que George Orwell - um autor que não vejo como tão bom quanto alguns dizem - diz, e Bárbara cita: “Escrever um livro é uma batalha longa e exaustiva, como lutar contra
uma doença grave. Só se empreende uma tarefa dessas movido por algum
demônio que não se pode vencer ou compreender.”
Ultimamente, graças à minha própria vontade de escrever, e tenho pensado nisso. Como acreditava Buzz Aldrin, temos um determinado número de batimentos cardíacos a serem aproveitados, e longe de achar que ler seja desperdiçar vários, penso que não temos tempo pra sair por aí lendo uma grande quantidade de coisas inúteis - a não ser, é claro, que elas sejam enormemente divertidas, e ainda assim, escritas com ao menos algum talento. Para mim, que não quero parar de nadar antes de escrever algo que preste, acho que é ainda mais importante: é através da leitura de obras de qualidade e da prática que o escritor vai encontrar e desenvolver seu estilo, que vai ser a soma de suas características pessoais, decisões cuidadosas sobre certas características (que podem variar em cada texto) e influências que outros autors tiveram sobre ele. Eu estou apenas começando a desenvolver um estilo pessoal, mas ainda não consegui terminar nenhum texto com ele. Digamos que escrever um conto ao menos razoável é bem mais complicado que escrever um texto simples como os do blog. quanto aos contos que há no blog, eles ainda não estão no nível "razoável", embora eu ainda pense em aperfeiçoar alguns até lá no futuro.
O problema com esse aperfeiçoamento foi o que me levou a essa ideia das duas obsessões. Um escritor para ter qualidade, precisa ter, ao menos, duas obsessões. A primeira, diz respeito ao tamanho do Em Busca do Tempo Perdido. A segunda, à frase de Oscar Wilde: “Hoje cedo tirei uma vírgula. À tarde, coloquei-a de volta.”.
A segunda obsessão pode ser chamada de perfeccionismo, não se referindo de modo algum à vida do autor como um todo, mas sim, a sua escrita apenas. Ao contrário, muitas vezes, o autor se desleixa de diversos aspectos de sua vida para aperfeiçoar sua arte. Fernando Pessoa talvez seja o exemplo maior.
Agora a outra obsessão é o meu maior problema. Normalmente, quando escrevo um texto, fico insatisfeito. Nenhum dos textos aqui, inclusive, me deixa mais que razoavelmente satisfeito. Mas eu queria escrever alguma coisa e torná-la pública, e os contos com os quais quero realmente trabalhar não são coisas que pretendo publicar aqui. Vou aproveitar só algumas coisas do blog (e talvez o plural nem se aplique). Minha segunda obsessão ainda está num nível saudável, mas aceitável - exceto no que diz respeito ao que posto aqui. Agora a primeira está num ponto muito ruim.
Para se escrever um livro como o Tempo Perdido, Proust dedicou anos de sua vida, trabalhando bastante. Em geral, autores que escrevem obras longas se dedicam por um bom tempo, ou com uma frequência muito grande num tempo mais curto. Parece existir uma obsessão em finalizar esse texto já iniciado, aperfeiçoa-lo. Eu tendo a ir deixando de lado meus textos. A trabalhar no texto por um longo tempo, e aos poucos ir deixando ele de lado e nunca concluí-lo. A criar toda a base conteudística de um conto - para jamais realmente escrevê-lo. Ou a começar a escrever outras coisas e deixar aquela de lado.
Tenho tentado corrigir esse problema, mas ultimamente, a falta de tempo tem me consumido. Muitas batidas nervosas tem sido perdidas com livros da faculdade de letras, que parece estar tentando quebrar a vontade de ler dos meus dentes - e em alguns dias consegue. O trabalho também dá algum trabalho, mas menos. Ultimamente as leituras da universidade estão tentando transformar o título do Infinite Jest numa expressão literal da minha batalha para lê-lo. O Livro de Areia e o Hamlet são outras coisas que a universidade parece não desejar que eu leia. Agora, quanto a escrever, um processo muito mais desgastante e lento... digamos que tempo e dinheiro são coisas que não sobram na escrita. A obsessão que eu já não tenho e estou tentando adquirir, como se não bastasse, ainda está sendo impedida pelo curso de letras.
Não é atoa que tanto escritor fugiu dele...
Nenhum comentário:
Postar um comentário